Buscar
  • JH Areias / Rodrigo Calvozzo

Fred x Gabigol, uma ótima rivalidade para os departamentos de marketing



O retorno de Fred agitou a torcida do Fluminense na última semana. Fãs que andavam tímidos e pouco confiantes, tomaram as redes sociais para demonstrar toda a sua idolatria pelo camisa 9, que foi o protagonista do título brasileiro de 2012 e se tornou um dos mais importantes nomes da história do Tricolor. 

Acontece que toda ação gera uma reação. Não por acaso, os rivais trataram de se movimentar para não ficar por baixo e mostrar que também são capazes de agitar o mercado esportivo, mesmo durante a pandemia que impede a bola rolar neste período.

O retorno de Fred ao Rio de Janeiro faz com que aqueles que admiram as estatísticas levantarem os dados dos artilheiros. Se por um lado o astro das Laranjeiras já balançou as redes do novo Maracanã 30 vezes, Gabigol, do Flamengo, é o atual detentor do título de quem mais levou a festa para as arquibancadas ao marcar 35 vezes. Essa constatação levou jornalistas a iniciarem debates apontando quem terá mais condições a partir de agora de ser o dono do título de maior artilheiro do eterno “Maior do Mundo”. Se dentro de campo a chegada do reforço foi importante, fora dele a disputa não ficou menos agitada. De acordo com informações passadas pela direção do Fluminense, o clube conquistou em uma semana cerca de 1.200 novos associados, elevando seu número total para pouco mais de 28 mil torcedores com cadastros ativos. Com uma relevância cada vez maior nos orçamentos dos clubes, o Vasco fez um apelo aos seus fãs para que não deixasse este número cair. Motivados pelo agito do rival, os cruzmaltinos que no final de 2019 chegaram ao topo da lista de maior torcida associada do Brasil, com pouco mais de 188 mil seguidores, voltou a ter uma curva ascendente. Após ter perdido muitos fãs desde a virada do ano, o engajamento vascaíno retomou o rumo do crescimento e está atualmente 168.356 sócios ativos, sendo apontado como uma das dez maiores torcidas cadastradas em todo o mundo.

Qualidades ou preferências à parte, o importante é notar que a presença de ídolos reacende a chamada rivalidade, o que é um ótimo fator para qualquer departamento de marketing. Por mais que vejamos como extremamente positiva a boa gestão do Flamengo, isso se torna menos relevante caso os seus rivais diretos não sigam o mesmo caminho. A retomada do rumo de sucesso dessas agremiações apenas reforça a ideia de que com adversários qualificados uma conquista passa a ser ainda mais valorizada.

Apenas para constatação, vale a pena uma rápida comparação. No ano de 1995, o campeonato carioca viveu o auge do quesito rivalidade. Se por um lado o Flamengo apresentava o seu famoso ataque dos sonhos, formado por Romário, Sávio e Edmundo, o Fluminense contava com o polêmico Renato Gaúcho e o Botafogo com o sempre falastrão Túlio Maravilha. Após o eternizado Fla x Flu do gol de barriga, que deu o título ao tricolor, o carioca daquele ano registrou uma média de público de 16.711. Já a última edição desta competição, conquistada pelo Rubro-Negro, com ingressos sempre muito disputados por seus torcedores que lotavam os estádios, alcançou a média de 7.571. Uma significante diferença, já que apenas os apaixonados pelo Flamengo se animaram para prestigiar o seu time de coração com fervor.

A rivalidade sadia é muito bem-vinda ao esporte e os fãs só tendem a ganhar com o agito que os grandes ídolos trazem aos campeonatos.