VII Curso de Gestão e Marketing Esportivo ... e as oportunidades neste mercado

Acabo de lançar o VII CGME, curso que vem agradando aos participantes,
como vocês podem constatar pelos comentários postados aqui neste site.
Desta vez será em São Paulo, de onde tenho recebido vários pedidos. O
VI CGME foi realizado em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, na
primeira incursão fora do Rio de Janeiro.

Teremos uma década de megaeventos esportivos no Brasil, começando em
2011 com os Jogos Mundiais Militares no Rio de Janeiro, 2013 Copa das
Confederações, 2014 Copa do Mundo e 2016 Olímpiadas e Para Olímpiadas.

Estes eventos demandarão profissionais preparados e teremos muitas
oportunidades nesta indústria. Hoje o diretor da Trevisan RJ, Ricardo
Mathias, onde ministro aula no MBA de Gestão e Marketing Esportivo, me
enviou o seguinte artigo, publicado hoje no Jornal Valor:

Esportes: Copa e Olimpíada aceleram demanda por profissionais especializados no setor.

Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

A realização de grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do
Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, deve acelerar a demanda por
gestores especializados em esporte. Segundoa Fundação Getúlio Vargas,
em cinco anos, a Copa do Mundo vai obrigar uma maior profissionalização
do setor e gerar a necessidade de mais de 2 mil especialistas graduados
ou pós-graduados no país.

"Vamos precisar de um aumento de 1.000 % no número de profissionais
para dar conta das novas arenas esportivas que serão construídas",
afirmam Deborah Zouain e Ronaldo Chataignier, coordenadores do núcleo
de estudos em esportes da Escola Brasileira de Administração Pública e
de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Ebape/FGV). Mesmo antes do
anúncio dos megaeventos no Brasil, a procura por cursos de formação em
administração e negócios do esporte tem aumentado 20% por ano, nos
últimos cinco anos.

No Brasil, os gestores esportivos são contratados por grandes empresas,
clubes, federações de esportes, setor público, ONGs que trabalham o
tema como ferramenta de inclusão social, além de agências de marketing
e companhias de vestuário e equipamentos esportivos. Além disso, a
profissionalização do setor pode criar novas funções, como a de gestor
de estádios.

De acordo com os professores da FGV, a procura por especialistas vai
ser pressionada também por investidores e entidades esportivas
internacionais. Na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, cerca de 70 mil
pessoas trabalharam no comitê organizador de forma remunerada. "Desse
total, cerca de 40% do contingente foram usados em atividades que
exigiam formação superior", lembra Deborah.

Na próxima Copa, em 2010, na África do Sul, espera-se a criação de mais
de 100 mil postos de trabalho diretos e indiretos, em nove sedes de
jogos. "No Brasil, com 12 locais para as partidas, estima-se um número
de vagas ainda maior, superando 120 mil contratações", diz Chataignier.

Uma gestão mais profissional também promete chegar aos estádios por
conta da reformulação dos espaços exigida pela Fifa. "É aqui que surge
a função do gestor de arenas, capaz de fazer dessas estruturas um
negócio autossuficiente e lucrativo". Na Europa, os estádios são
responsáveis por até 35% da receita de grandes clubes, como o
Manchester United, da Inglaterra, e o Milan, da Itália. No Brasil, de
acordo com a FGV, essa participação fica perto dos 10%.

De olho na demanda por gestores do esporte, desde 1998, aFGVjá formou
13 turmas com mais de 300 administradores esportivos. Para Deborah,
ainda há pouca oferta de cursos no Brasil e faltam docentes e
pesquisadores capacitados para lecionar na área. Existem baterias de
pós-graduação e MBAs em gestão e marketing esportivo em instituições
como a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a
Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. ATrevisanEscola de
Negóciose a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) também têm
programas sobre o assunto.

A estimativa dos pesquisadores sobre o crescimento da demanda nos
próximos anos não é exagerada. O Brasil é considerado o quinto maior
mercado esportivo do mundo e o setor representa cerca de 2% do PIB
nacional- uma fatia em regime de engorda. Entre 1995 e 2005, o PIB do
esporte aumentou 10,8% ao ano, segundo pesquisa do instituto Ipsos
Marplan e do canal SporTV. "Nos Estados Unidos, o segmento esportivo
participa com 4% do PIB."

Para não fazer feio no cargo, o gestor de esportes deve ter domínio de
gestão empresarial, conhecimento em marketing, gestão de pessoas e
finanças, além de capacidade para liderar equipes. Boa comunicação
verbal, habilidades em negociação e conciliação de conflitos também são
exigidas. O profissional pode ser usado para mediar contratos
publicitários entre atletas e empresas ou montar ações públicas de
desenvolvimento do esporte. "É necessário aptidão para planejar e
comercializar eventos, captar recursos, conhecer a dinâmica do segmento
e ter um bom networking", avisa Deborah.

Para enfrentar a concorrência nos próximos anos, a especialista
aconselha formação nas áreas de ciências humanas e sociais, como
administração, ciências contábeis, marketing, economia, comunicação
social ou publicidade; além de uma pós-graduação em administração,
marketing ou gestão de negócios em esportes.

Os salários na área, em geral, estão abaixo da média de mercado e têm
grandes variações, segundo pesquisas do núcleo de estudos em esportes
da FGV. Um gerente médio pode ganhar de R$ 3 mil a R$ 12 mil. Já altos
gerentes e diretores recebem salários entre R$ 12 mil e R$ 80 mil
mensais, mais premiações por negócio gerado. "Mas há profissionais que
gerenciam escolinhas e núcleos de prática esportiva com remuneração
entre R$ 2 mil e R$ 6 mil, de acordo com o porte do empreendimento e a
modalidade esportiva."

O executivo Rogério Pimenta, por exemplo, optou por uma formação
variada e hoje trabalha no setor público. Cursou educação física, fez
pós-graduação em voleibol, participou da primeira turma de MBA da FGVem
administração esportiva e concluiu um mestrado em administração
pública. Como consultor da FGVna área de esportes, participou do estudo
de viabilidade econômica dos Jogos Panamericanos de 2007 e do plano de
modernização do futebol brasileiro para a CBF, com a criação de um
calendário de jogos e o sistema de pontos corridos.

Atualmente, Pimenta é subsecretario municipal de esportes e lazer do
Rio de Janeiro- na primeira gestão formada inteiramente por
profissionais da área- e vice-presidente da Federação de Futebol do
Estado. "O gestor deve ter um conhecimento generalista dos assuntos que
envolvem o segmento, capacidade de realizar parcerias comerciais e
planejamento de marketing, além de conhecer aspectos contábeis e
tributários", ensina. Com a chegada da Copa e da Olimpíada, Pimenta
prevê que haverá ofertas para especialistas em nichos como a elaboração
de projetos e captação de recursos, marketing para atletas e
organizações esportivas, e desenvolvimento de projetos sócio-esportivos.

Para Líbia Lender, coordenadora do MBA de marketing e entidades
esportivas da Universidade Anhembi Morumbi, o profissional da área
também está ganhando espaço em empresas que se relacionam diretamente
com o esporte ou utilizam a atividade como ferramenta de comunicação.

O curso da instituição tem 30 alunos, vindos de áreas como educação
física, administração e marketing, além de integrantes de
confederações, ex-atletas e fãs de esporte que querem empreender na
área. "As companhias desejam que o especialista amplie os benefícios
que podem ser alcançados com investimentos no setor, trazendo maior
visibilidade para a marca e aproximação com o público", diz Líbia.

Na Nike do Brasil, o executivo de contas estratégicas Marcos Paladino
cuida dos planos de venda de mais de 5 mil itens de material esportivo
como calçados, equipamentos e vestuário. "Os negócios nesse mercado
devem aumentar mais de 100% por conta dos eventos marcados até 2016",
diz.

Na empresa há dois anos, Paladino já investiu R$ 20 mil em formação
profissional. Graduado em administração de empresas, garantiu o foco na
carreira com uma pós-graduação em administração e marketing do esporte.
"Para essa profissão, deve-se gostar muito de esportes", afirma. "Sem
ter paixão por alguma modalidade, você nunca entenderá o consumidor
desse segmento". Segundo o executivo, também é necessário saber
"conversar" com os vários atores do mercado- atletas, times, mídia e
patrocinadores.

É esse trabalho de "meio de campo", entre atletas e empresas, que
Flávio de Francesco, um dos sócios da Comcept, agência de marketing e
comunicação esportiva, faz todos os dias. Profissional especializado no
desenvolvimento e gestão de projetos ligados ao esporte, ele começou na
área há dez anos com licenciamentos da imagem do piloto Ayrton Senna e
das marcas Senna e Senninha.

Hoje, pilota a própria agência e coleciona ações como a intermediação
entre o jogador Kaká e a Gillette para uma campanha publicitária- 80%
dos contratos da empresa de Francesco vêm do futebol. "Também fazemos
assessoria e posicionamento de imagem de atletas como Luís Fabiano, o
camisa 9 da seleção brasileira; Vágner Love, do Palmeiras, e Hernanes,
do São Paulo."

Para o executivo, com a proximidade da Copa do Mundo, esportistas e
fabricantes de produtos vão aproveitar a oportunidade para gerar
negócios. "A meta é dobrar o volume de projetos na agência até 2016",
diz Francesco, que já trabalhou em eventos esportivos ligados a marcas
como Danone e Heineken.

Até quem está chegando no mercado há pouco tempo já vislumbra um maior
volume de contratos por conta dos megaeventos. Criada há seis meses, a
agência Monday estima um aumento de até 40% nos negócios a partir do
próximo ano- 50% dos projetos da companhia são ligados ao futebol e a
outra metade é dividida entre esportes radicais e corrida.

O objetivo da empresa é montar ações estratégicas que unam grandes
companhias a eventos esportivos, como a recente participação da marca
de roupas Hawaiian Dreams (HD) no Oi Megarampa, certame para skatistas
e bikers, realizado em setembro, em São Paulo.

"Também estamos reforçando o planejamento de imagem de clubes como
Atlético Mineiro e Ponte Preta", afirmam os sócios da Monday, Leonardo
Salles e Thales Paoliello. No próximo ano, a ideia dos executivos é
aumentar o volume de torcedores nos estádios com shows de artistas
populares antes das partidas. "Por conta da movimentação para a Copa de
2014, já fomos procurados por três empresas que, meses atrás, nem
queriam falar de projetos esportivos."

Segundo Claudinei Santos, coordenador do núcleo de estudos em negócios
do esporte da ESPM, o sonho de todo gestor de esporte é trabalhar com
uma grande empresa que valorize ações de marketing esportivo ou
desenvolva mercadorias para o setor. A instituição mantém um curso de
pós-graduação em administração e marketing do esporte há seis anos e já
diplomou 300 profissionais. Nas turmas, cerca de 70% dos alunos não são
da área esportiva e querem entrar no mercado, enquanto 30% dos
matriculados já trabalham com esporte e buscam aperfeiçoamento.